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O Ano de 1993 de José Saramago e as ilustrações de Graça Morais

No dia 17 de outubro de 2017, a CJS e o projeto POEPOLIT participam, às 19h30, com esta conferência no espaço de intervenção cultural Normal da Universidade da Coruña.

O Ano de 1993 de José Saramago é uma colectânea de trinta textos alegóricos em prosa poética, cujo primeiro poema foi escrito em resposta à falhada tentativa de levantamento militar do 16 de Março de 1974. Foi completada e publicada em 1975, recriando  a angústia e o sofrimento causados por uma ditadura que parecia não querer terminar.
Trata-se de um texto poético-onírico que passa tanto pela violência revolucionária, como pela alegoria optimista mas também desenganada de “uma humanidade que enfim iria principiar a lenta aprendizagem da felicidade e da alegria, sabendo embora que nada nos ficará debaixo da sombra que vamos projectando no chão que pisamos.” (Saramago, 1998: 40).
No seu conjunto, pode ser considerado um breviário daquilo que viria a ser a poética da obra posterior de Saramago, com a sua característica transfiguração do neo-realismo através do imaginário.
De forma fragmentária, O Ano de 1993 narra a história de uma cidade sitiada e depois ocupada por uma força militarmente superior que oprime os habitantes com métodos de tortura fisico-psicológica e meios tecnológicos avançados, o que inclui a transformação de animais domésticos em máquinas de guerra. A população que permanece na cidade é sujeita a uma ditadura caracterizada por interrogatórios, torturas, prisão e outros métodos de repressão totalitária, forçada a arranjar-se com a situação.
Simultaneamente, a parte expulsa da população, continuamente atacada e perseguida pelas forças que agora controlam a cidade, sofre um retrocesso civilizacional. Em constante perseguição por animais cyborg, criados por um grande computador do opressor, perdem até a linguagem. No entanto, conseguirão reorganizar-se no exílio numa estrutura tribal, dentro do contexto de uma cultura de feições pagãs e nomádicas.
Quando conseguem recuperar a linguagem, junto com o nascimento de uma criança e o surgimento de um arco-íris, recompõem-se como sociedade e procedem à reconquista da cidade. Ao final, aprendemos que se trata de muitas cidades que se encontraram na mesma situação, o que universaliza a mensagem política do texto. Depois de um primeiro momento vingativo após a revolução, passa-se a um utópico final com a esperança de um mundo melhor, embora agora já desprovido de qualquer metafísica.
A pedido de José Saramago,  Graça Morais ilustrou congenialmente uma reedição deste livro em 1987 para a editorial Caminho, infelizmente esgotada.


Publicado, 09/10/2017


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