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Comunicação: «“Olhemos em silêncio; aprendamos a ouvir“ — a trans-ibericidade saramaguiana no contexto do debate decolonial»

 

Durante os dias 9, 10 e 11 de março, irá decorrer em Barcelona o Congresso Internacional «José Saramago e o Transiberismo», organizado pelos nossos colegas da Cátedra José Saramago da Universitata Autònoma de Barcelona. Trata-se da primeira das Conferências Itinerantes «Escrevo para compreender» que, promovidas por quatro cátedras europeias dedicadas a José Saramago, terão lugar ao longo deste ano de 2022 no contexto das comemorações do centenário do Nobel português.

 

Entre muitas outras personalidades e especialistas na obra e o pensamento de José Saramago — confiram o programa completo anexo, no evento participará também o professor Burghard Baltrusch (Cátedra Internacional José Saramago, Universidade de Vigo). Durante a primeira sessão de comunicações da quinta-feira, 10 de março, a partir de 9h30 o professor apresentará a comunicação intitulada «“Olhemos em silêncio; aprendamos a ouvir“ — a trans-ibericidade saramaguiana no contexto do debate decolonial», de que disponibilizamos a seguir o resumo:

 

RESUMO

A ideia saramaguiana de uma imprescindível actualização do imaginário iberista e da sua tradição metafísica e providencialista na história das ideias em Portugal expressa-se pela primeira vez, por ocasião do recém-publicado romance A Jangada de Pedra (1986), numa entrevista dada a Clara Ferreira Alves, em 1986, “A facilidade de ser ibérico”. Foi com esta entrevista que Saramago iniciou uma série de sucessivas reflexões públicas, de forma ininterrompida até à sua morte, sobre uma proposta inovadora de revisão e actualização do iberismo histórico. Embora nunca tenha dado uma forma sistematizada às suas ideias, é possível deduzirmos das múltiplas entrevistas, conferências e artigos, assim como da produção literária em si, o que denominei, noutro lugar, uma “'nova Mensagem' materialista, ironicamente oposta ao imaginário metafísico e providencialista de Fernando Pessoa” (Baltrusch 2010). Esta nova Mensagem, “não-androcêntric[a], transiberista, dialecticamente materialista e decididamente pós-colonial”, realizou uma “crítica imagológica da memória cultural e colectiva (portuguesa, ibérica e europeia)” que, apesar dos muitos estudos que já surgiram nos últimos anos, ainda aguarda análises mais detalhadas, também em relação à sua intrínseca proposta decolonial. É neste sentido que este estudo quer continuar a reunir elementos que demonstrem a importância das reflexões saramaguianas transiberistas, não só para a interpretação da história, mas também para a análise da actualidade política e cultural. Além de uma breve recapitulação das origens do transiberismo, a minha atenção centrar-se-á, sobretudo, numa proposta de o associar a perspectivas ecocríticas, em relação com a filósofa, bióloga e teórica do feminismo, Donna Haraway, e com a psicóloga, investigadora feminista do decolonialismo e artista Grada Kilomba. Interessa-me, especialmente, as possibilidades de o transiberismo ser contextualizado dentro dos actuais debates sobre colonialismo, racismo e outros discursos excludentes (nos meios de comunicação social, no ensino da história, na sua presença na crítica literária, na literatura e nas outras artes).
 

Burghard Baltrusch é professor titular de Literaturas Lusófonas, presidente da I Cátedra Internacional José Saramago, coordenador do grupo de investigação BiFeGa e do Programa de Doutoramento Interuniversitário em Estudos Literários na Universidade de Vigo. A sua investigação centra-se nas obras de Fernando Pessoa e José Saramago, a poesia actual e a teoria da tradução. É investigador principal do projecto “Poesía actual y política II: conflicto social y dialogismos poéticos”, financiado pelo Ministerio de Ciencia, Innovación y Universidades do Governo de Espanha (POEPOLIT II, PID2019-105709RB-I00, 2020-2023). Entre outros livros, publicou ou (co-)editou Bewußtsein und Erzählungen der Moderne im Werk Fernando Pessoas (Peter Lang, 1997), Kritisches Lexikon der Romanischen Gegenwartsliteraturen (5 vols., G. Narr-Verlag, 1999), Non-Lyric Discourses in Contemporary Poetry (Peter Lang, 2012), Lupe Gómez: libre e estranxeira - Estudos e traducións (Frank & Timme, 2013), “O que transformou o mundo é a necessidade e não a utopia” - Estudos sobre utopia e ficção em José Saramago (Frank & Timme, 2014), Poesia e Política na Actualidade - Aproximações teóricas e práticas (Afrontamento, 2021),  José Saramago e os Desafios do nosso Tempo (Universitat Autònoma de Barcelona, 2021). Mais publicações em https://uvigo.academia.edu/BurghardBaltrusch.

Publicado, 08/03/2022




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